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Manual de instruções



Não gosto de respostas concretas. Sempre que as for buscar dentro de mim, não as encontrará. Só consigo expor o que estou sentindo com meias palavras, duplos sentidos e algumas indiretas. Porque ser direta me cansa. Eu gosto é de instigar o outro a me desvendar, a tentar descobrir o que há entre as minhas entrelinhas. Não faço de propósito, é que existe em mim um lado todo misterioso que não consigo controlar.

Acho que quem me vê de fora, enxerga uma pessoa animada, de bem com a vida. Estou sempre dançante, contando piada e rindo a toa, mas quando um estranho tenta se aproximar de mim, eu me fecho. Não porque quero, mas porque sou naturalmente desconfiada e se a pessoa não me deixar relaxada e tranquila, pode ser que eu nunca me revele. Dizem que eu sou uma personalidade marcante, porém para poucos. E eu concordo.

Ás vezes sou meio careta, certinha e gosto de tudo do jeito que têm que ser. Sigo a maioria dos padrões convencionais que me impõem, mas em pensamentos sou totalmente diferente, discordo de quase tudo e se tivesse coragem mudaria totalmente o ritmo da minha vida. Em algumas festas eu dou uns surtos e libero essa minha fera interior. Bebo umas e danço até a luz da pista se acender. Mas só de vez em quando. Normalmente costumo brindar ao costume e aos bons princípios, então não tem com o quê se incomodar.

Preocupo-me muito com a humanidade, então se me chamarem para um projeto social, fazer caridade ou programas de preservação ao meio ambiente, pode apostar, estarei lá. Esse meu lado humanitário puxa também um lado espiritual. Tenho crenças diferentes e que a maioria das pessoas acham, no mínimo, estranhas. Mas não ligo, sei quem sou.

Já ouvi dizer que sou imprevisível, ou “de lua” como diria a minha avó. Esperam que eu faça uma coisa e eu faço outra. Simples assim. Pra me agradar as pessoas precisam fazer pouco. O principal é me surpreender. Fico pra morrer com surpresas, são minhas preferidas. E o que me atrai ao extremo é conversar, uma troca intelectual é essencial. Meu amor é amigo.

E por último tenho mania de liberdade. Gosto de ser livre, de fazer o que der na telha. Pessoas pegajosas, que me sufoquem, pouco terão de mim. Agora se me deixar solta para levantar voo, pode acreditar te levarei ao céu comigo.

Ideais idiotas

Eu sempre gostei de sol, luz, de dia. Parece que isso ilumina minha alma, me traz paz. Eu gosto de tranquilidade e liberdade. Diria até que para eu ser feliz só precisaria de uma casa de praia, um mar lindo a minha espera e sol...sol todos os dias. Eu iria viver sossegada, só eu e eu. Gosto muito da minha companhia, gosto de estar de acordo com o meu eu interior, isso também me traz paz.

 Ultimamente tenho sentido meu coração apertado, o motivo? Também gostaria muito de saber. Hoje eu saí, vi o sol se pôr, e isso tirou um pouco meu aperto. Vi familias nas ruas, vi pessoas andando apressadas, vi pessoas andando calmamente, eu vi o que eu mais gosto de analizar: as pessoas. Fiquei tentando encontrar meu estilo em cada familia que passava, em cada casal, mas não me encontrei. Eu nunca fui muito convencional, aventura e perigo me parecem um prato bem apetitoso. Eu almejo por liberdade, solidão e luz. Provavelmente eu não sou normal, ou eu tenha alguma alguma doença rara. Ou como ja provou uma pesquisa, eu seja assim por ser filha única, um pesquisador ja disse que filhos únicos tendem a ser mais solitários, porém descarto essa ideia, me parece meio anormal, afinal tenho companhia, tenho minha mãe que tanto gosto, meu avós que são minhas paixões.

 Mas quero fugir, quero largar tudo, quero viver sem rumo, procurando o sol, o mar, procurando aventuras, talvez eu escale uma montanha, pule de asa delta ou aprenda a fazer manobras radicais e mortais com aviões. Ou talvez eu vire uma mulher noturna, abandone meu medo de escuro e me dedique a noite. Talvez eu me enfie em noitadas onde só saia carregada de tão doida, ou talvez eu vire uma solteirona solitária olhando sempre pra lua, escrevendo e lendo textos de amor que nunca viverei e comendo até engordar.

Quero me descobrir, mas pra isso preciso largar todo tipo de afeto que me prenda, que me consuma. Isso pode ser um preço alto demais para pagar pela minha liberdade, ou talvez esse seja o preço ideal. Me desprenderia de filhos, de pessoas, de família, de um amor. Viajaria muito, conheceria lugares que de tão belos enriqueceriam meu olhar. Eu viveria de todas as formas, um dia eu seria indiana, ia morar no marrocos, outro dia eu seria grega, ia morar em Atenas, e assim por diante. Talvez eu me encontrasse ou talvez eu voltasse para meu país e casasse, tivesse filhos e largasse esses ideias de liberdade, tão idiotas quanto eu.

Como saber? O futuro é outra coisa que me atrai, queria ter o poder de descobrir qual dessas coisas acontecerá comigo. Não. Eu desisto dessa ideia. Quero viver, arcar com as minhas escolhas e ir para o lugar que a vida me levar. É isso que eu vou fazer, vou "futurar" por aí e quando descobrir quem sou eu, volto aqui.